Crise

9 mar

Eu tenho todo o tipo de crise quando estou na TPM. O que é definitivo e imutável vira incerto, e o certo vira errado. Mudo de opinião com a velocidade da luz, ou fico dez vezes mais teimosa que o usual. Fico emocionalmente instável: eu te amo, eu te odeio, eu não sei muito bem o que sinto por você. Eu te quero aqui, eu te quero a uns setenta quilômetros de distância. Eu te xingo, você me olha, eu te abraço, você me olha, eu grito com você, e a gente acaba rolando na grama, eu cheia de vontades e você sem saber muito bem o que fazer, mas indo na minha. “A gente cabe na mesma cama, mas não cabe na mesma vida”, penso eu, e me pego a fazer planos para o futuro. Próximo, eu confesso, mas ainda assim futuro. Mas deixa de retornar uma ligação minha, pra ver se eu te atendo no próximo mês que se seguir. Quero que você adivinhe todos os meus desejos, leia nas entrelinhas todas as minhas palavras não ditas, que fique acordado à noite, tentado desvendar todas as minhas antíteses e paradoxos. Que se admire por toda a minha complexidade, e como ela se desdenha nos meus cachos quando o primeiro raio de sol inunda o quarto e reflete seu dourado na minha pele nua. E quero, acima de tudo, saber o que eu realmente quero.
Mas só quando estou na TPM.

Certeza

8 mar

E então, quando você olha bem fundo nos meus olhos, a dúvida vai embora.

Cheiro

7 mar

Cheiro

Cheiro de rosa, sempre clichê.
É sempre clichê o cheiro da rosa!
Mas é sempre rosa esse clichê,
Porque é um clichê que me devora e eu gosto bastante.
O Clichê é sempre uma rosa de cheiro,
Uma rosa de cheiro que me cheiro bastante!
E eu devoro bastante esse gosto, esse cheiro.
E no final eu me deparo com a sensibilidade que me comove e que me
move de um jeito irradiante!
Eu irradio o sentido que é pra cê vê,
E cê vendo eu me vejo de um jeito cortante.
Porque sendo rosa, uma rosa clichê,
Eu transpareço no meio o meu jeito tonante.
Com um jeito que corta e que exorta as vidas,
Sinto o cheiro que mina o cheiro do sangue
O sangue dilacerante dos corpos Clichês,
E já não mais sinto a rosa, as pétalas afagantes.
Mas ri nas anas nas manhãs da vida,
E esse cheiro que queriam perderam de vista.
E agora o que resta me invade e grita
-Melhor sentir o cheiro bom falso, que a verdade promíscua!
D. Velez

Dúvida

7 mar

Nunca fui dada à inseguranças, mas ultimamente venho me perguntando com uma certa frequência se chego a ser mais do que umas horas nas tardes de domingo para você. Sei lá. Como se uma vozinha no fundo da minha cabeça soprasse a levíssima brisa da sombra da incerteza, e é quando a ideia perpassa minha cabeça por dois segundos, ou três.
Engraçado que só parei para me analisar dessa forma quando me dispensaram mais atenção que você próprio costuma me ceder. Mas quem vai saber, certo? Você não gosta de mostrar seus sentimentos, e, honestamente, eu te respeito muito por isso. Porque eu aprendi a não mostrar muito bem o que eu sentia. E, mesmo sabendo que esse seu dom é tão natural em você quanto é em mim, não consigo deixar de imaginar uma ruptura de todas as nossas barreiras, de vez em quando. Só pra eu ter certeza de que o que você me diz é verdade.
Mas tá bom assim, também.

Ode à letargia

10 dez

Nenhuma verdade me machuca. Nenhum motivo me corrói. Até se eu ficar só na vontade, já não dói. Nenhuma doutrina me convence. Nenhuma resposta me satisfaz. Nem mesmo o tédio me surpreende mais. Mas eu sinto que eu tô viva a cada banho de chuva que chega molhando o meu corpo. Nenhum sofrimento me comove. Nenhum programa me distrai. Eu ouvi promessas e isso não me atrai. E não há razão que me governe. Nenhuma lei pra me guiar. Eu tô exatamente aonde eu queria estar. Mas eu sinto que eu tô viva a cada banho de chuva que chega molhando o meu corpo nu. A minha alma nem me lembro mais em que esquina se perdeu ou em que mundo se enfiou.
Mas já faz algum tempo.
Mas eu não tenho pressa
(ok, agora, sem preconceitos, tá? É um texto interessante)
– Pitty

PS.: roubado do blog da minha melhor amiga, http://nataliavieiracesar.blogspot.com/ , para disfarçar minha presente dificuldade de escrever.

7 dez

De quem é a noite?

Inspiração

7 dez

Não consigo mais escrever. Não sei o que aconteceu, só sei dessa verdade momentânea. Até me lembro de uma frase, como tantas outras, célebre de Liz Gilbert: “Escrever não é como matemática, porque em matemática, dois mais dois sempre dão quatro, não importa o tempo que esteja fazendo lá fora, seu estado de espírito ou o humor do universo”. Tá, essa última parte é minha, mas não muda o fato de que eu acho essa frase fantástica, porque expressa com exatidão meu estado atual.
Tenho algumas teorias, mas nenhuma que me pareça suficientemente satisfatória. Nada que se encaixe muito bem. Mas eu sinto falta da fluidez com que as palavras saiam da minha cabeça e marcavam o papel.